sábado, 2 de março de 2024

Querida Professora!

Ser professor ou professora é daquelas profissões que devia exigir um casting, entrevista prévia ou análise psicológica séria e cuidada.

Ser Professor é ter na mão o ofício de moldar perspetivas, educar a mente, a alma e o juízo do outro. 

Não é para todos!

Não! Não é para todos!

A professora é, para qualquer miúdo, e muitos adultos, a referência,  a perfeição, o modelo. 

"- Mas foi a professora que disse!" - quantos de nós já não ouviram este argumento, vindo da nossa criança, que na verdade só quer dizer "a professora é que sabe, nunca se engana e sabe tudo, por isso é que é professora. E, portanto, se a professora disse, ninguém me convence que não é assim"

Este papel é de grande responsabilidade! Pode ser pesado!

Não é para todos!

Não! Não é para todos!

Todas as crianças merecem bons professores!

Mas o que é isso? 

Aqui em casa, a referência da "boa professora" é a Professora Sílvia Pereira, professora do Rodrigo, no 1º ciclo.

Pela mão dela, ele aprendeu a ler, a escrever, a dividir e multiplicar e nas suas próprias palavras "a nunca desistir". Aprendeu coisas que nem sabe que aprendeu, apesar de as ter absorvido e agora fazerem parte daquilo de que é feito. Aprendeu a confiar, fora do ninho, aprendeu que o mundo está cheio de possibilidades e de pessoas que podem gostar tanto dele e de lhe querer tão bem, além de quem tem o compromisso de o fazer. Aprendeu que o mundo é de todas as cores e que todas são importantes, quer nos assentem bem ou não. Aprendeu que ele pode até aquilo que não imagina e todos podem tanto quanto ele; que é especial na sua individualidade ao mesmo tempo que é mais um, no coletivo.

Aprendeu a pensar "fora da caixa", a questionar-se, a questionar. Aprendeu que se pode ser autoridade sem ser autoritário e que a disciplina pode ser cheia de amor. Aprendeu o que é ser incansável pelo que se quer e a nunca desistir.

A Professora Sílvia, é UMA num milhão, é uma surpresa boa a cada dia, é a superação e a imaginação ao serviço da sua Missão, que abraça com força ao mesmo que leva na mão com cuidado e proteção. A professora Sílvia caminha, segura, à frente, liderando, mostrando o caminho; leva pela mão, lado a lado, amparando ou deixa passar à frente, incentivando a descoberta na liberdade segura de quem nunca deixa desvia o olhar.

A Professora Sílvia, tem o Dom dos Grandes: Olha e Vê! Vê além do que os olhos alcançam. Vê a essência. Cada um dos seus alunos é decifrado pelo amor sábio que lhe guia a alma. Cada um dos seus alunos é guiado para que se torne na melhor versão de si próprio, com respeito, com aceitação.

Nesta grandeza tão natural de ser, porque lhe é simples ser como é, deixa, em cada criança que passa por si, as sementes e as ferramentas para que cada um faça crescer e florescer tudo aquilo que precisar para ir onde quiser.

Este é o modelo, não devia ser a exceção!

Todas as crianças precisam duma Professora Sílvia! 

QUERIDA PROFESSORA!


Nas palavras do seu aprendiz, que terá nas suas raízes as sementes que lhe plantou:





terça-feira, 30 de abril de 2019

Estou grávida 🦋

À minha Carolina

Hoje faz 10 anos que te sei em mim.
Lembro-me de sentir que nunca tinha sido tão feliz, mas esperava esse sentimento, tão forte tão bom, que nesse dia eu era a pessoa mais importante do mundo. 
Escolheste-me, transformaste-me e habitas-me de todas as maneiras possíveis, desde o primeiro dia. 
Fizeste de mim «a mamã», uma eterna aprendiz de coisas que nem sei se sou capaz. Trouxeste-me os medos que nunca tive e abalaste as minhas certezas.
Mudaste-me para sempre, de tantas formas, que nem eu sei quantas vezes já nasci, o tanto que me transformas e me fazes aprender e relembrar coisas que quero guardar e outras que quero largar.
És intensa como o amor que te sinto e como os trovões na tempestade. És mar calmo de água cristalina e brisa leve e doce, que nos faz ficar em ti.
Carregas em ti mil vidas vividas e outras tantas por viver. 
Trazes dúvidas com respostas que já sabes serem as certas. Sabes o que nem sabes saber.
Desafias todos os saberes comuns, as minhas convicções e os caminhos que tracei para nós. Descubro-te a cada instante num lugar novo daquele onde eu estava. traçamos um novo caminho à medida que caminhamos. 
Quero ser o teu Guia, a tua orientação, o teu porto seguro, a casa para onde podes sempre voltar. Fazes parte de quem sou. E sem ti eu não seria inteira.
És um recomeço todos os dias.
Uma alma velha num corpo de criança.

Sou tão grata por ser tua e tu seres minha.

Amo-te meu Amor

«A mamã»

terça-feira, 5 de junho de 2018

Ao meu filho...



5 de junho de 2018

Hoje o dia nasceu como outro dia qualquer...

Cumprimos a rotina matinal,  como sempre, a correr em pezinhos de lã e a dar ralhetes e gargalhadas, à vez, num sussurro para não acordarmos os que ainda dormem.
Hoje correu muito bem, saimos antes da hora, com tempo para a ouvir a tua musica* (mais uma vez), para falarmos sobre os cromos mais dificeis da coleção do futebol e para falarmos das coisas que já não te lembras.

Hoje quiseste lembrar como eras em bebé...

Andamos às voltas nas memórias dos banhos, dos dias passados em casa, dos mimos da mana, de teres sido um bebé grande...as perguntas fluiam, como as histórias e os risos...

-Mamã, eu era magro, quando nasci e era bebé?

No meio duma gargalhada disse-te que eras um bebé enorme e gordo e forte e....

A tua voz interrompeu-me, tão assertivo e calmo, como que num anuncio inevitável...

-Mumy, sabes que eu sou o único da minha escola que não tem umbigo?

Não consegui evitar o silêncio. Senti como se mil flexas tivessem sido lançadas e num só golpe me tivessem atingido.

Desde que nasceste que eu sabia que este dia ia chegar! É hoje e sinto que não estou preparada. Tenho que responder....continuava com a pergunta na cabeça....angústia!

Coloquei a voz, forçada e conscientemente, o mais normal que consegui e fiz das tripas coração para responder de forma básica, curta, tão normal como temos lidado com esta tua característica (ou não temos lidado, porque para nós, sem umbigo, é o normal em ti) e disse apenas

- Ah, pois! Por causa da tua operação, não é?! Olha, mas sabes que o umbigo também é uma marca com que os bebés ficam! São duas marcas diferentes.

- Porque é que eu tenho esta? - pergunta ingénua, desprovida de mágoas ou tristeza, apenas movida a curiosidade de quem pergunta para saber, como se nunca tivesse ouvido a explicação - senti que pela primeira vez quiseste saber...
E eu expliquei-te (mais uma vez, para mim, talvez a primeira, para ti) que quando nasceste tinhas um doi-doi e foi preciso operar para ficar curado e por isso tens essa marca e não a marca do umbigo.

Sorriste com o teu sorriso sereno e a tua expressão calma transpirou entendimento, mas vontade de também ter um (umbigo).

Felizmente, já tinhamos chegado à escola! Rematei, prontamente, que quando crescesses podias fazer um e que depois te explicava melhor, quando quisesses saber.

Mudaste de assunto, pegaste na bola e fomos para a escola!
Voltamos aos cromos, às táticas do teu jogo e aos super-heróis.
Deixei-te na escola depois de um abraço, um beijo e um "porta-te bem", como sempre fazemos todos os outros dias. Mas para mim, este, não foi um dia qualquer, foi O dia em que o PORQUÊ? ganhou forma.

Cheguei ao carro e chorei, chorei tudo o que tive vontade de te dizer
- para não te sentires inferior;
- que és um gerreiro, um vencedor;
- que nada em ti depende do teu umbigo, tu és assim e tu és incrivel;
chorei de medo que seja preciso dizer-te isto um dia, chorei as perguntas que não te fiz
- como sabes que és o único?  Quem é que disse isso? Gozaram contigo? Sentes-te mal com isso? Porque falaste nisso agora?
Chorei a angústia de que possas sofrer com isto, chorei o medo que sofras (mais).
Chorei a vontade que tive de voltar para casa, abraçar -te e ficarmos assim o dia todo! Foi difícil, muito difícil calar a vontade, o instinto de te proteger de um problema que se calhar para ti nem existe!

Senti que te dei o que precisavas para hoje! Senti-me uma mãe que esteve à altura, ainda que a tremer por dentro!

Tu és um ser único, especial, mas isso não é porque não tens umbigo, o cabelo castanho ou dois olhos que falam. Dentro de ti há um mundo onde habitam coisas boas, há uma vida cheia vida, desprovida de angústias, fantasmas ou monstros; onde os problemas duram um momento e as gargalhadas só dão tréguas quando já doi a barriga. Tu és  (per)feito para mim! E fazes-me tão feliz assim!

Este és tu! Uma centelha de luz que eu tenho o privilégio de chamar filho.


*"Nos teus olhos"- álbum CASA de Carolina Deslandes 
Dediquei-ta e agora não paras de a ouvir.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Nunca mais...





Perda! Desgosto! Desilusão! Tristeza...
Sei desde há muito, que a perda é a minha fraqueza. Dentro da perda, o Luto! Custa-me despegar-me, largar, deixar cair, perder...
Não coisas, dessas cedo me despeguei, talvez para atenuar este peso que a perda tem em mim. Deixei cair as coisas e não sinto falta das coisas que não tenho, ficou-me o peso da falta das outras "coisas".
Fazem-me falta todas as pessoas que já perdi, sem opinar, sem decidir, sem que me perguntassem, como seria sem elas, partiram, para sempre...Umas muito cedo, outras no fim do seu caminho, mas todas deixaram em mim um espaço vazio, um álbum de memórias com espaços que ainda queria preencher...
Mesmo quando faz sentido, (sim, eu sei, temos um prazo de validade, que eventualmente expira) mesmo aí, quando há paz, acordo e serenidade, sobrepõe-se o vazio, a perda!
Não consigo evitar o impacto profundamente triste do sentimento que invariavelmente me preenche de "Nunca mais..."
Nunca mais....
...vou ouvir,
...vou sentir,
...vou estar,
...vou tocar,
...vou dizer o que não disse,
...me vou despedir, sabendo que é a última vez.
Há sempre, em mim, um medo consciente de me esquecer...como se ria, como se mexia, o cheiro, as expressões mais finas, as mãos (recordo as mãos de todos os abraços que já perdi), o calor - perdê-las de vez. Tenho medo que as fotografias se apaguem com o tempo, e nunca mais posso repo-las, nunca mais....
E nunca mais é tempo demais...

quinta-feira, 8 de março de 2018

O quantos-queres da FELICIDADE



Isto de ser Feliz tem muito que se lhe diga! Ou não?
Porque é que às vezes parece tão fácil e outras parece que não há nada que nos deixe felizes?
Quando estamos felizes é mais fácil encontramos, nas pequenas coisas, motivos para ficarmos ainda mais felizes. Então, acredito que felicidade gera felicidade. Porque tudo é mais fácil quando estamos felizes, é mais olhar para o copo meio-cheio e dizer que "só falta um bocadinho", é mais fácil perdoar, é mais fácil encontrar, num pequeno brilho, um clarão e num obstáculo, apenas um desafio, um percalço, uma coisinha de nada.

Mas o que é que determina se eu vou ser feliz?

A mim faz-me sentido a ideia que a felicidade é também uma escolha. "Também", porque é determinada por duas forças concorrentes: o que me acontece e o que eu faço com o que me acontece.
Posso ser mais ou menos responsável pelos acontecimentos que influenciam a minha vida, mas sem dúvida sou muito mais o produto do impacto que esses acontecimentos provocaram em mim.

O que me acontece, sem dúvida, influencia se eu estou ou não feliz, mas aquilo que eu faço com o que me acontece (a forma como elaboro, como arrumo - ou não - e o protagonismo que lhe dou) influencia, com certeza, se eu sou feliz!

E sim, é aqui que eu posso escolher...de forma mais consciente, num exercício de força interior (às vezes muito difícil) porque eu acho que é o que DEVO FAZER; outras vezes sem sequer pensar sobre isso, porque esta é a minha ATITUDE, eu decido sem decidir que vai ser assim.

Decidir ser feliz é não fazer das coisas menos boas ou das coisas ausentes a cena principal, é não despender nelas todos os meus esforços e energia (muito menos naquelas que, definitivamente, não posso mudar). É aceitar (e não acomodar) que estão lá, existem e não se pode fazer nada (se se pode, 'bora fazer), mas ainda assim, posso viver com elas, em segundo plano, sem mudarem o que preservo de bom e me faz ser FELIZ.

EU SOU FELIZ nesta minha vida com alguns momentos em que eu não estou feliz, mas em que SOUfeliz, porque apesar daquele bolsinho onde eu guardo o lixo, a minha mochila carrega muitas coisas boas e são essas que eu uso, consumo, mexo e remexo todos os dias!