Chorar!
A primeira forma de comunicar, a mais intensa, a mais verdadeira. Aquela que usamos quando as palavras, os gestos e as orações não chegam.
Chorar!
A água que nos tira de dentro tudo o que não nos serve, tudo o que nos cala. Cada lágrima encerra em si, todas as palavras que nela cabem, mas que não existem em língua alguma.
Chorar é a forma mais inocente e pura de expressão!
Chorar é tanto e é tão simples. É cura, alívio, emoção, sentimento.
É a expressão que nos faz humanos.
Porque tentamos anulá-la, escondê-la, disfarcá-la. Porque nos privamos de sentir, expressar, partilhar?
Mas não é só o nosso choro que não suportamos, é também o choro alheio. Não somos educados para dar espaço a todas as emoções, somos treinados para "controlar", o que sentimos, como o expressamos, com quem e onde o fazemos e por quanto tempo.
Passamos a infância a ouvir que "Não é preciso chorar", "já passou"; e à medida que vamos crescendo, que "Não é caso para chorar", "Já somos crescidos". Vendem-nos, desde cedo, a ideia que chorar nos torna fracos, incapazes, inadequados, infantis. Privam-nos da mais pura e profunda forma de expressão das nossas emoções mais intensas, daquelas que não se soltam em palavras, textos ou silêncios. Fazem-nos acreditar que a essência deve ser silenciada em prol do julgamento alheio. E julgamos também, a nós e aos outros - "fracos, inadequados, demasiado sensíveis (isso existe?), vulneráveis, infantis"
De geração em geração, vamos castrando as nossas crianças, impondo-lhes a obrigação de calar o choro, de calar a expressão que lhes permite porem do lado de fora aquilo que lhes passa por dentro. E vamos semeando vergonha, limite para o sentir, barreiras à expressão do que sentimos.
Será, então, que devemos sentir apenas até onde as palavras podem descrever? Será que nos devemos privar de viver por inteiro, de sentir tudo? Será que é justo usufruirmos de apenas metade da experiência, quando nascemos com o potencial para viver e saborear a experiência completa.
Não estaremos a privar-nos de Ser por inteiro, de deixar Ser por inteiro?
Chorar trás verdade, trás essência, trás honestidade, trás simplicidade.
Chorar é Cura, Força e Coragem.
Bem-hajam os que choram, os que não se apagaram, os que resistem a SER e a ESTAR em verdade, vivendo as suas emoções, usufruindo da experiência completa, intensa, como a vida deve ser.
Que saibamos acolher as nossas lágrimas, com empatia, amor, gratidão e sabedoria.
E quando alguém partilhar connosco as suas lágrimas, que o nosso primeiro pensamento seja: "se está a chorar, é porque é preciso chorar."
Que um dia possamos encontrar em todas as lágrimas, força, coragem e não-julgamento; e possamos devolver empatia, cuidado e gratidão.
É PRECISO CHORAR!

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